O que falta na rede
A Rede Conecta não nomeia só os serviços que existem, nomeia também o que falta. Mapear a ausência é parte do direito à informação. Os dados abaixo são argumento público para a expansão da política de proteção.
A lacuna de autonomia é a lacuna da liberdade.
Entre esses números, um dói de um jeito diferente: metade da Região Metropolitana não tem nenhum serviço de autonomia econômica. Sem renda própria, sem formação, sem um coletivo por perto, muitas mulheres não têm para onde ir depois de romper. E quem não tem para onde ir, muitas vezes não rompe.
Por isso esta ausência não é um dado a mais. É a denúncia de que falta às mulheres a própria saída. Garantir caminhos de renda e formação em cada município não é política de desenvolvimento apenas: é política de proteção à vida.
As 7 etapas do caminho de proteção
A rede de proteção é um percurso, não um catálogo. São 7 etapas, de N1 a N7, e cada município precisa ter cobertura em todas. Além delas, usamos a categoria N8 para registrar serviços anunciados ou em implantação que ainda não podem ser acionados pela população.
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Cobertura por município e nível
Cada célula em rosa marca uma ausência. Cada número diz quantos serviços daquele nível existem naquele município.
O que a escuta territorial revelou
Sínteses das respostas coletadas entre abril e julho de 2026, com coletivos, pesquisadoras, lideranças comunitárias e mulheres com experiência vivida. Apresentadas sem identificação, para proteger quem falou.
"Quando precisei ajudar mulheres que me procuraram, encontrei dificuldade em cada porta: instituição, secretaria da mulher, Ministério Público. É sempre um jogo de empurra, moroso e desgastante."
"Não temos uma delegacia que funcione à noite, só de dia. Falta equipe, e o prédio é alugado."
"A proteção só funciona se os serviços conversarem entre si e mantiverem sigilo. Sem isso, a mulher vira só mais um número."