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RedeConectaACCAPorque nenhuma mulher deveria enfrentar a violência sozinha.

Recomendações para políticas públicas

A Rede Conecta ACCA não é apenas um diretório. É um instrumento de incidência. As ausências mapeadas e a escuta territorial com 23 respondentes, coletivos, pesquisadoras, lideranças e mulheres com experiência vivida, produziram um conjunto de evidências que justificam decisões concretas de política pública municipal, estadual e federal.

1 · Evidência

A confiança precede o protocolo

A rede informal, amiga, vizinha, familiar, e os coletivos feministas funcionam, na prática, melhor do que a delegacia. A mulher chega primeiro a quem confia, não a quem tem autoridade legal. Isso não é falha individual: é estrutura de proteção que precisa ser reconhecida.

Dado da escuta territorial Quando perguntadas qual porta "realmente funciona", 35% das respondentes citaram a rede informal e 26% citaram coletivos de mulheres, somando 61%. A delegacia, citada como porta "mais comum" por 17%, cai para 22% quando se pergunta o que funciona.
Implicação para política pública Coletivos feministas precisam ser reconhecidos formalmente como entradas legítimas da rede de proteção, com mesma visibilidade institucional que serviços públicos. Editais de fomento, formação e articulação devem incluir esses espaços como parceiros estruturais, não como complemento opcional.
2 · Evidência

A dependência financeira é o nó estrutural da violência

Quase metade das respondentes (48%) aponta a dependência financeira como o principal obstáculo para sair de uma situação de violência. Isso significa que um diretório de serviços, por mais completo, não resolve o problema central: a mulher sabe que existe uma delegacia, mas não consegue sair porque não tem dinheiro, não tem para onde ir com os filhos, não tem como se sustentar.

Dado da escuta territorial Dependência financeira: 48% · Medo do agressor: 22% · Vergonha ou culpa: 22%. Mulheres com filhos pequenos lideram a lista de grupos mais desassistidos (22%), com mais menções que mulheres da periferia urbana (17%) ou da zona rural (17%) tomadas isoladamente.
Dado do mapeamento territorial Dos 21 municípios da RMG, 20 não têm nenhum serviço de autonomia econômica (Nível 7) mapeado. As poucas iniciativas mapeadas se concentram em Goiânia, o que deixa o restante do território sem nenhuma referência de autonomia econômica.
Implicação para política pública Programas de transferência de renda emergencial para mulheres em situação de violência, qualificação profissional, microcrédito feminista, cooperativas e moradia transitória precisam estar integrados ao fluxo de proteção como parte da resposta, não como etapa posterior. A política pública atual trata violência e autonomia econômica como problemas separados; a evidência indica que são o mesmo problema.
3 · Evidência

A rede falha por fragmentação, não por falta de serviços

O problema central não é ausência de serviços, é ausência de articulação entre eles. O "jogo de empurra" descrito pelas respondentes é produto de uma rede que opera em silos. A revitimização ocorre quando a mulher precisa recontar sua história a cada serviço, sem que haja fluxo entre eles.

Dado da escuta territorial Demora no atendimento (22%) e falta de articulação entre serviços (17%) são os dois pontos de ruptura mais citados. Articulação entre coletivos e serviços públicos aparece como a iniciativa que mais funciona (23% das menções).
Implicação para política pública Fluxos intersetoriais formalizados entre saúde, segurança, assistência social, justiça e coletivos. Sistema de referência e contrarreferência com tempo máximo de resposta. Protocolos de atendimento que evitem repetição forçada da história. Acompanhamento de caso por uma referência única ao longo de todo o percurso.
4 · Evidência

Grupos invisíveis precisam de entradas próprias

Mulheres com filhos pequenos, mulheres da zona rural, mulheres negras, mulheres trans e mulheres com deficiência enfrentam barreiras específicas que o diretório genérico não responde. O racismo institucional, a revitimização no sistema de saúde e a ausência total de serviços em municípios rurais não são exceções, são padrões.

Da escuta territorial "A revitimização se perpetua no atendimento de saúde, inclusive nos direitos reprodutivos. O racismo obstétrico mostra como o sistema falha desde a raiz com as mulheres negras." (relato anonimizado)
Implicação para política pública Formação continuada antirracista, anti-LGBTfóbica e capacitista para todos os profissionais da rede. Protocolos específicos para mulheres trans, mulheres com deficiência, mulheres negras e mulheres indígenas. Serviços itinerantes para zona rural e periferias distantes. Filtros e interfaces específicas no diretório público para perfis com vulnerabilidades agravadas.
5 · Evidência

A Casa da Mulher Brasileira de Goiânia precisa ser concluída, ou desclassificada oficialmente

A Casa da Mulher Brasileira foi anunciada em Goiânia como serviço integrado de proteção (delegacia, jurídico, acolhimento, abrigo em rede). A obra foi rescindida em dezembro de 2025 com apenas 27% executado. Sem data prevista de inauguração. O município continua aparecendo em registros oficiais como "atendido", quando não é.

Decisão editorial registrada A Rede Conecta classifica a CMB Goiânia como N8, Em Implantação / Não Acionável. O registro permanece visível no diretório justamente para nomear a lacuna, não para orientar atendimento.
Implicação para política pública Retomada imediata da obra com cronograma público; ou desclassificação oficial do serviço com transferência transparente do orçamento para Casas-Abrigo regionais nos 19 municípios da RMG que hoje não têm proteção (Nível 4). A invisibilidade da ausência é parte do problema.

Recomendações em construção contínua

Esta página será expandida conforme novos achados da escuta territorial, do mapeamento e da articulação com a rede. Considerações específicas sobre interfaces por perfil, integração com sistemas estaduais (UNA / Ministério das Mulheres), parcerias internacionais (UNFPA) e desdobramentos legislativos estão em elaboração pela equipe da Rede Conecta.

Contribuições, dados complementares e indicações podem ser encaminhados via ACCA, Associação Cultura, Cidade e Arte.